Fundado em 8 de junho de 1931 no Aeroporto Campo de Marte, em São Paulo, bairro de Santana – Zona Norte, o Aeroclube de São Paulo (ACSP) é uma das escolas de aviação civil mais antigas e tradicionais em funcionamento no Brasil. Berço da formação de milhares de aviadores, consolidou-se como peça fundamental na história da aviação nacional, atuando na formação de pilotos e comissários com foco em instrução e segurança.

 

Início no Campo de Marte: Quando o Aeroclube de São Paulo chegou no Campo de Marte em 8 de junho de 1931, este ainda era um espaço em desenvolvimento, símbolo do início da aviação civil no Brasil. À época sequer existia a Força Aérea Brasileira, criada apenas em 1941, dez anos depois da sua fundação.

Auge e Glamour: Durante as décadas seguintes à sua fundação, o aeroclube foi um ponto de encontro de destaque, com sua vida social marcada pelo glamour, oferecendo cursos teóricos e práticos.

Marco de 1973: Em novembro de 1973, pilotos do ACSP realizaram um feito inigualável: trouxeram 20 aeronaves novas (Piper Cherokee e Arrow) voando dos Estados Unidos para o Campo de Marte, um evento celebrado anualmente.

Revolução de 1932: O Aeroclube foi fundamental na formação de pilotos comerciais e privados com o objetivo inicial de servir na Revolução de 1932.

Evolução da Estrutura: Evolui de um campo de pouso simples para hangares estruturados, com simuladores de voo e a frota de instrução composta ao longo das décadas por Piper Cherokee, Diamond DA20, Diamond DA40, Embraer Corisco e Tupi, entre outros, vive demanda judicial com grande peso e consequente incerteza do seu futuro.

O Aeroclube de São Paulo continua em funcionamento na Avenida Olavo Fontoura, 650, sendo considerado um dos pilares da aviação no Brasil. 

 

Traslado das Aeronaves Aeroclube SP 1973

Um feito inigualável ocorreu em Novembro de 1973, pilotos do Aeroclube de SP – ACSP -, trouxeram os aviões de instrução Piper Cherokee e Arrow voando dos Estados Unidos para o Aeroclube em São Paulo, em um total de 20 aeronaves.

Esse grupo seleto grupo de Pilotos do Aeroclube de São Paulo – ACSP -, se reúnem anualmente para comemorar esse feito e relembrar as aventuras daquela época e para que essa fantástica história não caia no esquecimento.

No dia 04 de Novembro de 1973, 20 aviões novos, vindos do Revendedor Piper Aircraft, localizado na cidade de Fort Lauderdale-EUA, pousaram no Campo de Marte em São Paulo e, para comemorar esse feito todos os anos, esse grupo de seletos pilotos do aeroclube de São Paulo e do Aeroclube de Bragança Paulista, se reúne para um almoço de confraternização onde comemoram um feito inigualável que eles protagonizaram há 43 anos atrás.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte imagem: Aerojota

22 jovens pilotos (e muitos com pouca experiência), capitaneados pelo Cmte José Augusto Morelli, aceitaram a difícil missão de fazer o traslado de 18 aeronaves para o Aeroclube de São Paulo (ACSP) + 2 aeronaves para o Aeroclube de Bragança Paulista-SP (ACBP), assim distribuídos:

12 Piper Cherokee 140
06 Piper Cherokee 200 Arrow
+ 02 Piper Cherokee 140 para o Aeroclube de Bragança Paulista.

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte imagem: Aerojota

Toda a missão foi planejada e organizada pelo Cmte Morelli, que tinha como desafio, formar o grupo, preparar documentação para a FAA dos EUA, fazer os relatórios de despesas, treinamento dos seus pilotos em regras de trafego aéreo internacional, documentação de seguro, dentre diversos trabalhos administrativos, quando finalmente conseguiu embarcar para os EUA com seus 21 Aviadores preparados e treinados para a missão.

Dos 22 que embarcaram, dois seriam pilotos reservas e voltariam como co-pilotos.

O Traslado durou 23 dias, teve 12 etapas com paradas para reabastecimento que consumiram só de combustível para as aeronaves 28.000 litros de AvGas, sem contar o óleo para o motor.

Não é nem preciso dizer a confiança que esses jovens pilotos tinham em si, em seus companheiros de viagem e nas máquinas que voavam, por fazerem travessias oceânicas, as vezes sobre selva a bordo de aviões pequenos e monomotores.

A distância percorrida, totalizou 8.000 Km com paradas programadas nas cidades/localidades de Georgetown (ilha ao Leste de Cuba), South Caicos (Ilha ao Sudeste de Cuba), República Dominicana, Saint Croix (Ilha ao Sul de Porto Rico), Ilha de Martinique, Ilha de Trinidad (Piarco) e finalmente saindo do oceano e entrando em Continente, Guiana (Georgetown), Guiana Francesa (Cayenne), chegando ao Brasil, via Belém-PA e passando por Carolina-MA, Porto Nacional-TO, Brasília-DF, Uberaba-MG e finalmente no dia 04 de Novembro de 1973 as 20 aeronaves chegaram ao seu destino final, o Aeroclube de São Paulo. De Uberaba até São Paulo, as aeronaves se reagruparam para chegarem juntas e o Líder pediu autorização para a torre para efetuar diversas passagens a baixa altitude com a Esquadrilha de Cherokee 200 Arrow, enquanto os 140 pousavam em segurança. E assim foi feito. Os “Arrow” mostraram ao público presente o que é um voo rasante, com inúmeras passagens baixas.

Durante todo o deslocamento, na medida do possível as aeronaves voavam sempre próximas uma das outras para facilitar a navegação, já que naquela época 1973, não existiam as tecnologias que existem hoje, nem embarcada nas aeronaves, nem em solo, portanto era muito importante um bom planejamento de navegação.

Quando não era possível essa “revoada”, as aeronaves eram divididas em três esquadrilhas já pré-determinadas durante o treinamento. Esquadrilha Azul. Branca e Cinza, cada uma com 6 aparelhos e os outros 2 Cherokee 140 de Bragança Paulista se incorporaram a uma delas.

Após a chegada das aeronaves, mais precisamente 33 dias depois, três delas foram escolhidas (não temos os prefixos para passar), para serem batizadas pelo Governador do Estado de São Paulo à época Sr. Laudo Natel, pelo Comandante da Base Aérea de São Paulo, Coronel Aviador Paulo Henrique Carneiro de Amarante e pela apresentadora de televisão Hebe Camargo, recebendo as aeronaves o batismo dos seguintes nomes: Rio Tiete, Rio Negro e Rio Amazonas.

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Fonte: Aerojota